sexta-feira, 1 de junho de 2012

Cantar a Justiça e a Paz - Pe Zezinho


O rapaz me garantia que fizera mais de trinta canções de cunho social. Pediu minha opinião. Li, na sua frente, todas elas. Opinei dizendo que nenhuma das 30 canções abordava a doutrina social da Igreja. Eram todas de louvor e gratidão, mas nenhuma poderia ser chamada de catequese social.

Ele quis saber o que estava faltando nas letras. Mostrei-lhe uma por uma. Falavam de Jesus crucificado, sofredor, cujo sangue fora derramado pela humanidade; falavam de Maria a pura e servidora; falavam de salvação, de conversão, de graça, de Espírito que nos renova; exaltavam o Senhor Deus e quando tocavam em temas de alteridade, diziam coisas gerais do tipo “O mundo está sofrendo por não saber te amar”
Disse-lhe que suas letras não iam ao ponto como os documentos da Igreja vão. Falei de alguns temas pontuais encontrados na Declaração de Puebla na década de 70-80: os mais de 20 rostos de sofrimento da América latina. E apontei para o Documento de Aparecida que acrescenta mais 29 situações concretas de sofrimento. Ao todo eram quase 50 situações de cruz e de dor que ele poderia musicar para chamar a atenção dos colegas jovens e das comunidades sobre a doutrina social da Igreja.
Falei-lhe ainda de mais de vinte encíclicas e de dois documentos do Vaticano e do Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Ele admitiu que não havia lido nenhum daqueles livros. Não fora motivado a isso. Não quis culpar seus mentores e seu padre diretor, mas é difícil imaginar que um formador tenha diante de si centenas ou milhares de jovens e não lhes mostre o que a Igreja diz sobre justiça e paz, quando o Vaticano II dizia já no começo que sem isso não se pode falar em Igreja Católica.
O rapaz de 24 anos queria ajudar com seu canto, mas compunha a partir do que aprendera. Foi, leu os livros, telefonou-me e disse que já está compondo sobre a cruz de Cristo e as cruzes do povo da periferia de sua cidade, dos pais que perderam os filhos, dos jovens vitimas do tráfico e dos perigos de ser jovem num tempo violento como o nosso.
Estou curioso para ler seus novos textos. Ele não parou de escrever canções de louvor, Apenas acrescentou novos temas à sua catequese ao violão… Se querem saber, acho que é por ai que se deve ir. Louvor, alteridade, justiça e paz!

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