quinta-feira, 11 de agosto de 2011

TENHO AMIGOS CANTORES NO CÉU... - Osvaldo Lima

Não sei quais são os propósitos de Deus, mas eu acho que Ele deve estar organizando uma festa daquelas lá no céu. Semana passada convocou minha tia para ir para o céu cozinhar para Ele. Depois convidou o garoto Lucas para animar a festa. E agora o sr. Zé Maria para cantar...

Hoje, enquanto eu estava cantando na escola, nas comemorações do Dia do Estudante, Deus acabou chamando este irmão na fé para cantar para Ele lá no céu... 

O sr. Zé Maria era mais um daqueles grandes companheiros de missão que subiram para entoar, com os anjos, hinos de glória ao Senhor. Ele tinha já seus 60 e poucos anos, senão me falha a memória, e cantou comigo durante um bom tempo nas missas da Paróquia Nossa Senhora da Glória, em Ceilândia Sul, no Distrito Federal. 

O sr. Zé Maria tinha uma voz de tenor. Amava cantar os salmos. Na verdade, ele amava estar cantando pra Deus na missa. Sempre com o seu próprio microfone, que tinha comprado, e seu pote de água. Parecia que estar ali, para ele, era o momento do grande encontro com Deus. 

No Natal de 2009, eu e ele acabamos tocando na Missa, na capela de São José Operário, substituindo a equipe de canto escalada. Isso aconteceu devido ao fato de uma das meninas da equipe ter falecido: a Alessandra. Senão me engano, ela morreu no dia 22. Morreu em casa. Encontraram-na na cama, com os folhetos de canto do Natal. Estava ensaio para cantar na noite do Natal. Deus quiz antecipar está noite tão especial para ela. Tenho certeza que ela foi cantar ao vivo, face a face, com o nosso Senhor, Jesus Cristo.

Deus já chamou vários amigos que compartilharam momentos de fé nessa caminhada com JESUS CRISTO. Lembro-me do sr. Odilon, mais conhecido como "seu Sábia". Tinha uma voz rouca. Tocava no modo caipira de bater no violão. Como era bom ouvi-lo tocar e cantar. Apesar dessa voz rouca, ele não estava nem ai pra quem o criticava por causa da sua voz ou do jeito de tocar. Ele queria era tocar pra Deus. Fazia umas "gambiarras" com os fios. Remendava os autofalantes com cola branca e papel. Chegou até inventar um microfone, parecido com o do Sílvio Santos, amarrado no pescoço com fios de energia. Mas ele não se preocupava se era estranho, com nada disso... Ele queria era louvar a Deus.

Foi o "seu Sábia" que me ensinou como tocar nas missas, na comunidade de Nossa Senhora de Guadalupe e na comunidade de São Francisco de Assis, em Ceilândia. Eu tinha doze anos quando o conheci. Eu sempre arranjava um jeito de estar perto dele. Foi ele que me ensinou um canto de paz que guardo até hoje: "Paz, paz de Cristo, paz. Paz que vem do amor, te desejo irmão. Paz e a felicidade de ver em você Cristo, nosso irmão...."

Ele me chamava de "Vadinho". Quantas vezes o "seu Sábia" me fala assim: "Vadinho, Vadinho! Vem cá! Presta atenção! Pra tocar pra Deus a gente tem que ser humilde. Tem que ter humildade! Não esqueça disso! Humildade!". Nunca consegui tirar essa frase da minha cabeça!

"Seu Sábia" morreu com câncer na garganta. Lembro-me que no dia do seu enterro, eu coloquei no seu caixão um troféu em forma de clave de Sol. O povo até ficou meio assustado. Cheguei, levantei o pano que o cobria e coloquei o troféu, entre suas mãos! Lembro-me que naquela hora rezei para que Deus, ao ver aquela troféu, tivesse a certeza que aquele homem compreendeu o que era ser uma cantor de Deus. Ele foi um dos únicos músicos católicos "santo-vivo" que eu encontrei na minha vida. Naquele momento eu tive a certeza que Deus queria que eu continuasse tudo aquilo que o "seu Sábia" me ensinou! Até hoje, lembro-me dele quando começo a tocar. A sua voz ecoa nos meus ouvidos: "Vadinho, pra tocar pra Deus precisa ser humildade". Comprei uma viola caipira, de 10 cordas e a batizei com o nome de "Sábia", em homenagem ao sr. Odilon.

Não sei os propósitos de Deus, mas sei que tenho amigos preparando uma festa no céu. 
Farei de tudo para estar lá com eles!

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